A Escala de Treino

 

A Escala de Treino

A escala apresenta um método de treino para cavalos de dressage, sendo esta desenvolvida na Alemanha no ano de 1912 e muitas vezes referida como a base para juízes, treinadores e cavaleiros. Apesar de ser criada para dressage, a verdade é que esta é a base de toda a equitação, sendo por isso utilizada para cavalos de qualquer disciplina e pode ser aplicada a cavalos de todas as idades. A escala está dividida em 6 fases e é estruturada da seguinte forma:





Se pensarmos na escala como uma pirâmide, encontramos na base o que é mais importante e que deve ser mantido sempre que adicionamos um patamar acima.

Além das 6 fases, a escala está ainda dividida em 3 partes:

1. Confiança e Compreensão – Ritmo, Flexibilidade e Contacto

2. Força de Propulsão – Flexibilidade, Contacto, Impulsão e Retidão

3. Força de Sustentação – Impulsão, Retidão e Concentração


Ritmo

O ritmo é a regularidade e o tempo das passadas nos andamentos e movimentos do cavalo, sendo que deve ser o primeiro fator a desenvolver.

Deve existir uma correta sequência das passadas/batidas em todos os andamentos, a regularidade do tamanho e tempo das passadas;

É nesta fase que devemos procurar aperfeiçoar os andamentos, estimulando o cavalo a andar para diante sobre figuras no picadeiro, sejam elas linhas retas ou círculos.

Para manter o cavalo ativo e para diante, é importante intensificar as ajudas das pernas e reduzir o movimento das mãos.

Tempos de cada andamento:

  • Passo – Composto por quatro tempos
  • Trote – Composto por dois tempos, sendo que os membros movimentam-se diagonalmente, havendo suspensão de dois membros quando os outros dois estão no chão.
  • Galope – Composto por três tempos, havendo um movimento diagonal e um momento de suspensão.

O passo é geralmente o andamento mais difícil de melhorar, devendo ter em atenção a eventual laterização.

O trote é o melhor andamento para trabalhar no plano, pois permite revelar erros de equilíbrio e ritmo.

No galope deve-se ter atenção aos movimentos posteriores e trabalhar o ritmo para que seja consistente.

Alguns dos problemas que levam a um mau ritmo são:

  • Falta de atividade
  • Apressado no que pedir ao cavalo
  • Irregularidade nas ajudas

Dicas:

  • Sessões consistentes
  • Mãos suaves e sensíveis
  • Manter o contacto com o cavalo
  • Trabalhar as transições

Flexibilidade

Nesta fase, procura-se não só desenvolver a flexibilidade, mas também a descontração.

Deve ser trabalhada a flexibilidade lateral, longitudinal bem como as figuras do picadeiro, tudo isto com um bom ritmo previamente trabalhado.

Quando procuramos a descontração, queremos que exista um andamento sem tensão, suave e com balanço.

É com esta fase trabalhada que o cavaleiro irá sentir nas suas mãos a energia dos membros posteriores do cavalo e vice-versa.

Tudo isto é trabalhado através da comunicação entre cavalo e cavaleiro.

Problemas de flexibilidade:

  • Tensão no dorso
  • Alterações no ritmo
  • Falta de energia nos membros posteriores
  • Contacto demasiado tenso
  • Orelhas para trás

Sinais de uma boa flexibilidade:

  • Ausência dos defeitos indicados
  • Postura descontraída
  • Respiração suave e ritmada
  • Cauda descontraída
  • Pescoço baixo sem alterações de contacto e ritmo.

Dicas de exercícios:

  • Passadas médias com rédeas longas
  • Exercícios a trote em curvas, passagens de mão e transições

O teste para ver se o cavalo é flexível é quando no passo o cavaleiro larga o contacto com as rédeas e o cavalo mantém o pescoço baixo e para a frente, em vez de levantar a cabeça.


Contacto

No fim de trabalhar corretamente o ritmo e a flexibilidade, o cavalo geralmente aceita o contacto com a embocadura e a mão do cavaleiro. Este contacto deve ser o mais estável possível, suave e leve. Com o contacto correto o cavalo fortalece o ritmo e o equilibrio.

É normal que quanto mais trabalho, mais ligeiro se vai tornando o contacto.

Marcas de bom contacto:

  • No dressage, a nuca é o ponto mais alto
  • Em exercícios concentrados, o chanfro deve estar na vertical;

·Relaxamento na boca do cavalo

Marcas de mau contacto:

  • Instabilidade de atitude;
  • Boca aberta

Dicas de exercícios:

  • Exercícios laterais
  • Curvas apertadas


Impulsão

Quando o cavalo estiver confortável nas fases anteriores, pode pedir-se mais atividade nos andamentos, levando à flexão dos membros e ao balanço, havendo assim mais energia e atividade nas passadas.

A impulsão pode ser desenvolvida com:

  • Conquistando a vontade do cavalo em trabalhar
  • Domínio das espáduas e das ancas
  • Variação nas transições de andamentos
  • Dirigindo a força com a mão
  • Atuando repetidamente com as pernas

Qualquer resistência e contração dos músculos, ligamentos e articulações vai bloquear a passagem da energia, levando a que cavalo use a sua flexibilidade e conexão para desenvolver a implusão. Assim, o objetivo do cavaleiro é criar o máximo de energia que possa ser contida sem que o cavalo avance, para depois ser utilizada na impulsão.

Dicas:

  • Trabalhar mudanças de ritmo
  • Mãos do cavaleiro mais flexíveis


Retidão

Nesta fase queremos o cavalo direito, para isso, precisamos de trabalhar os dois lados mas principalmente o lado fraco. Para verificar a retidão utilizamos linhas retas e a encurvação nos círculos.

Ao observar as passadas, verificamos que os membros posteriores seguem os membros anteriores, empurrando na direção do centro de gravidade.

Como corrigir defeitos de retidão:

• Cedência á perna

• Ladear

• Travers

• Renvers

• Espádua a dentro

• Serpentinas



Concentração

A concentração pode ser observada em exercícios como: passage, piaffer, piruetas e levada. Estes exercícios levam a uma atitude erguida e fixa.

Exercícios para desenvolver a concentração:

• Transições trote-galope-trote

• Paragens

• Recuar

• Piruetas

• Exercícios laterais

• Transição passo-galope




Escrito por: Inês Sousa




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